Ser humano e meio ambiente

Vivemos em um período de ampla degradação ambiental proveniente do modo de produção capitalista e é importante que nossos estudantes tenham consciência de onde estamos. Discute-se diariamente os efeitos de uma relação nociva entre ser humano e meio ambiente e vivemos em um mundo tomado por poluição, desmatamento, extinção de animais, contaminações diversas, doenças e outros problemas. Grande parte desses desafios que enfrentamos é fruto desta relação construída historicamente e a crise ambiental, cada vez mais, ocupa o centro das discussões dos problemas mundiais.

Tentaremos, nesse texto, trazer de forma breve uma discussão que, na verdade, é bastante densa e requer grande reflexão. Mas esperamos plantar uma semente dessa ideia em vocês, para que possam apresentar este tópico a seus estudantes quando for aplicar a oficina.

A relação entre o ser humano e meio ambiente construída culturalmente ao longo dos anos faz com que nós, seres humanos, não nos sintamos- parte integrante do todo (GRÜN, 2007). A maioria das pessoas em boa parte do mundo, concebem o ambiente como algo exterior à cultura humana. Algo que não faz parte da civilização e existe apenas como meio de subsistência do homem e de suas necessidades (GRÜN, 2007)

Esta relação, distante e de dominação, foi construída historicamente durante o desenvolvimento da humanidade. A partir da idade Média, houve um grande aprofundamento deste distanciamento cultural entre homem e natureza (CASINI, 1979). O auge desta dissociação entre homem e natureza foi atingido durante a Revolução Industrial, quando se outorgou à natureza a função exclusiva de matéria-prima. Vale ressaltar que a mentalidade que permeou a Revolução Industrial, que entende que a natureza é um recurso a ser explorado pelo homem, é um pensamento anterior à criação das máquinas (PORTO-GONÇALVES, 2004).

Por meio de sua cultura de consumo, o mundo ocidental, predominantemente, preferiu não discutir com profundidade, as consequências de seu modo de produção. À natureza, encarada apenas como matéria-prima, foi confiada a missão de se fazer perene por conta própria, sem que o ser humano tivesse responsabilidade sobre tal. Sobre esse tema, Odum (1988, p. 01) afirma que o grande paradoxo é que as nações industrializadas conseguiram o sucesso desvinculando temporariamente a humanidade da natureza, através dos combustíveis fósseis, produzidos na natureza e finitos, que estão sendo esgotados com rapidez.

Contudo, a civilização ainda depende do ambiente natural, não apenas para energia e materiais, mas também para os processos vitais para a manutenção da vida, tais como os ciclos do ar e da água. As leis básicas da natureza não foram revogadas, apenas suas feições e relações quantitativas mudaram, à medida que a população humana mundial e seu prodigioso consumo de energia aumentaram nossa capacidade de alterar o ambiente. Em consequência, a nossa sobrevivência depende do conhecimento e da ação inteligente para preservar e melhorar a qualidade ambiental por meio de uma tecnologia harmoniosa e não prejudicial.

Outras concepções de natureza e formas de pensamento se tornam necessários no contexto atual, onde os processos de interações do ser humano com seu espaço tornam-se acentuadamente impactantes. Nesse sentido o movimento do pensamento ecológico poderia ser considerado como uma proposta capaz de favorecer mudanças nesse processo de interação. Nas palavras de Leff (2003):

Leff (2003, p.15-16) afirma que a crise ambiental é a crise do nosso tempo. O risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. Esta crise se apresenta a nós como um limite no real que ressignifica e reorienta o curso da história: limite do crescimento econômico e populacional; limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida; limite da pobreza e da desigualdade social. Mas também crise do pensamento ocidental: da “determinação metafísica” que, ao pensar o ser como ente, abriu a via da racionalidade científica e instrumental que produziu a modernidade como uma ordem coisificada e fragmentada, como formas de domínio e controle sobre o mundo. Por isso, a crise ambiental é, sobretudo, um problema de conhecimento, o que leva a repensar o ser do mundo complexo, a entender suas vias de complexação, para dali abrir novas vias do saber no sentido da reconstrução e da reapropriação do mundo.

Fruto deste distanciamento é o modo de produção de alimentos que se desenvolveu impulsionado por tal mentalidade. O ser humano destrói a natureza para produzir seus alimentos e, na ânsia por lucro, envenena tais alimentos e acaba por consumir estes produtos e deteriorar a própria saúde, além de contaminar ainda mais o meio ambiente. Um ciclo altamente destrutivo e que tem como mola propulsora a lógica do lucro e da produtividade a qualquer custo. Este é um tema pouco tratado com estudantes e que impacta diretamente em sua saúde. Mas existem alternativas a esta lógica de consumo de alimentos contaminados?

Parece complicado para tratar em apenas uma oficina, né? Mas lembrem-se: estamos aqui para plantar sementes e é muito importante que nossos estudantes entendam que fazem parte de um mundo e que suas ações terão consequências. A partir disso, podemos estimular reflexões sobre sua relação com o todo de forma gradual. O importante é que eles entendam que tratamos o meio ambiente apenas como mercadoria e que temos a falsa noção de que tudo que consumimos é renovável.

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